Crítica: "Rua Colverfield, 10"

Rua Cloverfield, 10
(10 Cloverfield Lane)
Drama/Horror/Mistério
Data de Estreia no Brasil: 07/04/2016
Direção: Dan Trachtenberg
Distribuição: Paramount Pictures

        Em uma época em que até mesmo os trailers oficiais estão dando spoilers , “Rua Cloverfield, 10” é exatamente o filme que precisávamos. Desenvolvido em total segredo, a sequência de “Cloverfield” (2008) produzida pela Bad Robot lançou seu primeiro e único trailer em janeiro deste ano, apenas dois meses antes de sua estréia nos cinemas. Os produtores apostaram no elemento surpresa para fazer com que o próprio público divulgasse o filme. O trailer, que muito pouco mostra da trama, conseguiu cumprir de maneira perfeita seu papel de despertar a curiosidade de todos sobre o que afinal seria este novo filme que usa o nome da produção de 2008. Sequência, prelúdio, spin-off? Foi justamente esta curiosidade que fez com que o trailer fosse extremamente comentado e o filme pagasse seu próprio orçamento apenas com a bilheteria de seu fim de semana de estréia nos Estados Unidos. E mais importante: sem entregar nenhuma informação ou cena crucial da trama.
       O trailer que comentei acima é um dos melhores que já vi. Com uma rápida montagem de cenas e uma excelente música, ele faz o que todo trailer deveria: mostra ao público os principais personagens de sua trama e, principalmente, o tom do filme. É importante que um trailer não seja enganoso quanto ao que se deve esperar de um filme, mas isso não significa que ele deva entregar qualquer ponto crucial da trama. O senso de confusão que temos em relação à trama de “Rua Cloverfield, 10” é importantíssimo para construir a experiência com o filme, deixando que a narrativa se construa lentamente e sob uma grande camada de suspense. Quem são aquelas pessoas e o que fazem naquela situação? É crucial que ao assistir o filme estejamos tão perdidos quanto os personagens naquele cenário se encontram.
      Assim como o filme de 2008, “Rua Cloverfield, 10” é essencialmente um thriller, com elementos de terror que vão aos poucos se intensificando. Somos levados pelo filme a acompanhar seus personagens de maneira muito próxima, sendo possível sentir de maneira muito real a tensão que os cerca. Enquanto o filme anterior explorava essa tensão a partir da dinâmica do grupo de pessoas tentando sobreviver a um apocalipse, “Rua Cloverfield, 10” explora um panorama completamente diferente, de como as pessoas lidam e se relacionam com a possibilidade do isolamento e da convivência por um longo período de tempo.
    Um dos maiores destaques do filme é algo que costuma passar despercebido para a maioria do público: a edição. Uma boa edição é elemento essencial para a construção de uma competente atmosfera de suspense, e “Rua Cloverfield, 10” o faz com uma edição muito dinâmica, com rápidas transições de cena que te deixam sempre ansioso para ver o que o filme mostrará em sequência. De grande importância são também o excelente trabalho de direção de Dan Trachtenberg, da cinematografia e da construção de cenários, que dão um aspecto muito imersivo à história e criam uma claustrofobia e sentimento de isolamento muito importantes ao desenvolvimento da narrativa.
       Outro destaque extremamente positivo é o elenco do filme. Com um número muito pequeno de personagens, “Rua Cloverfield, 10” consegue dar o tempo de tela necessário para que cada ator desenvolva bem seu personagem, criando uma relação mais próxima entre eles e o público, o que também ajuda a construir o senso de imersão na história. Essa empatia que construímos faz com que seja mais fácil imaginar a nós mesmos dentro das situações que enfrentam. John Gallagher Jr. me surpreendeu muito positivamente com seu excelente Emmet, enquanto Mary Elizabeth Winstead dá novas provas da grande capacidade e alcance de sua atuação, em uma forte e bem construída personagem feminina, uma sobrevivente em todos os sentidos. Porém, o personagem e a interpretação mais marcantes são certamente os de John Goodman, que tem menos diálogos que os outros dois e menos tempo de tela para construir a personalidade de Howard e o consegue fazer de maneira magistral com sutis mudanças de olhares e gestos, uma interpretação cheia de nuances e sutilizas, frutos de um grande trabalho realizado por um excelente ator.
          O único elemento de “Rua Cloverfield, 10” que ainda não tenho 100% de certeza sobre qual posição tomar é seu terceiro ato. Os produtores decidiram por tomar um rumo que é extremamente compreensível dentro da história, mas que ainda não me decidi quanto a como se encaixou em relação ao restante da trama. Preciso assistir o filme mais uma vez. E isto é certamente algo que farei, porque “Rua Cloverfield, 10” é um daqueles raros filmes em que simplesmente não se percebe a passagem de tempo. Mesmo levando em consideração a curta duração do filme (por volta de 1h40) é incrível como em nenhum momento esta duração se torna perceptível, mais uma prova da capacidade que o filme tem de sugar o público para dentro de sua trama. “Rua Cloverfield, 10” é também o tipo de filme que te acompanha por muito tempo depois de você ter deixado a sala de cinema, com reflexões e metáforas extremamente inteligentes e pontas soltas que te deixam intrigado em relação a história e prolongam sua experiência com o filme. Certamente vale a pena ver. E rever.
Excelente
Por Thiago Natário
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