Crítica: "Jurassic World"

Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros
(Jurassic World)
Ação/Aventura- 2015 (Estados Unidos)
Data de Estreia no Brasil: 11/06/2015
Direção: Colin Trevorrow
Distribuidora: Universal Pictures


          Antes de mais nada, preciso comentar que subtítulo do filme em português consegue superar todos os padrões anteriores no quesito redundância. Tendo tirado isso do meu peito, posso dizer que “Jurassic World” não é nenhum pouco o desastre que os fãs mais apaixonados da franquia esperavam. Apesar de obviamente muito inferior à maravilha cinematográfica criada por Steven Spielberg em 1993, o filme que tinha a missão de retomar a bilionária franquia é extremamente bem sucedido no que se propõe a fazer, superando com facilidade as últimas duas sequências. Isso acontece porque, além de se manter extremamente fiel ao tom e ao tema central que trazia “Jurassic Park”, o novo filme dá um novo passo a frente, um extremamente lógico e natural. Em total desrespeito com relação a todas as vidas perdidas nos desastres anteriores, o aviso da natureza não foi acatado. A ambição desmedida e, principalmente, a mais do que irresistível sensação de brincar de senhor da natureza certamente falariam mais alto. O Parque está aberto. E mais perigoso do que nunca.

             A premissa de “Jurassic World” é excelente, porque, além de se manter fiel ao que havia sido estabelecido no filme anterior, é extremamente verossímil, no sentido do estudo que faz sobre o comportamento humano. Passados 20 anos da construção do antigo Parque dos Dinossauros, idealizado por John Hammond, um dinossauro já não é mais algo tão espetacular. Como dito no filme, com algum exagero, as crianças já veem os seres jurássicos como se fossem elefantes em um zoológico. Por conta disso, ao passar de alguns anos os investidores exigem que se retome o interesse do público, com a criação de atrações cada vez mais impressionantes, e perigosas. O mais novo truque que o geneticista Henry Wu, remanescente das histórias anteriores, tira de sua manga é a produção artificial de um ser híbrido, uma mistura de duas espécies extremamente perigosas de dinossauros, que conta ainda com o empréstimo de algumas características de outros animais. Como o restante do filme prova, uma péssima ideia.
               A direção de Colin Trevorrow é muito competente. Apesar de não se arriscar muito, o jovem diretor soube compreender o que era necessário para encaixar o aspecto visual do filme com a narrativa, se mantendo sempre em sintonia com o que é Jurassic Park. Os efeitos especiais do filme são especialmente bem construídos, conseguindo dar um aspecto visual muito interessante e “realista” para todos os dinossauros que o roteiro cria, principalmente o novo híbrido e a incrível cena, largamente divulgada nos materiais promocionais, do colossal dinossauro aquático. O elenco do filme é muito competente, principalmente os dois protagonistas, a ótima Bryce Dallas Howard e o sempre carismático Chris Pratt, que tem a incrível capacidade de conquistar todo o público em cada cena que aparece. Pratt consegue o que poucos atores atualmente tem a habilidade de realizar. Não apenas todos torcemos por seu personagem, mas esperamos que ele entre em cena com mais frequência. E isso é essencial em um filme sobre a sobrevivência do homem, enfrentando perigos que ele mesmo criou. Precisamos de personagens que nos façam nos importar por suas vidas, mesmo que tenhamos a total consciência de que os dinossauros apenas seguem sua natureza predatória. E isso é algo que o personagem de Pratt, Owen Grady, uma espécie de “treinador” de velociraptors, tem plena consciência. E é isso que me leva a dizer que este personagem foi praticamente um treino para que o ator assuma o papel de Indiana Jones, como muito vem se especulando ultimamente. Ao mesmo tempo que sempre extraí o máximo possível da situação que tem a frente de si, Grady é frequentemente colocado em situações que muito superam sua própria capacidade. Devo admitir que após vê-lo nesse filme, considero-o como a escolha perfeita para assumir o icônico personagem da lenda viva Harrison Ford.
        Apesar de todos esses pontos positivos, Jurassic World  joga extremamente seguro. Até pela proximidade de lançamento, a comparação com o novo Mad Max é praticamente inevitável, e serve muito bem para ilustrar o que disse a pouco. Ambos os filmes tinham a dura missão de retomar uma franquia que há muitos anos não tinha mais nenhum filme produzido. Porém, as semelhanças param por aí, e o contraste é claríssimo. Enquanto o filme do experiente George Mueller veio para abalar toda a estrutura do cenário atual de filmes de ação, Jurassic World é muito mais um apelo à nostalgia, recriando praticamente a mesma premissa e situações muito similares às do primeiro filme. Como disse anteriormente, o passo a frente que o filme toma é muito lógico, mas também em grande parte previsível. As abundantes cenas de ação quase nunca surpreendem, prestando diversas homenagens ao filme de Spielberg, mas sem conseguir causar no público aquele mesmo efeito de maravilhamento frente ao desconhecido. Afinal de contas, estamos tão acostumados a ver dinossauros em cena quanto as tais crianças que citei ao começo. Há inclusive no filme um personagem, Lowery, que resume bem o que acabei de dizer. Aparecendo para trabalhar com uma camisa com o logo do antigo Parque dos Dinossauros, Lowery tem em sua mesa várias miniaturas de dinossauros, seres pelos quais demonstra enorme reverência. Lowery é o fã antigo que foi aos cinemas assistir o “novo Jurassic Park”, que já sabe o que vai acontecer, mas não consegue escapar do irresistível apelo de ver tudo de perto.
       Um dos maiores problemas do roteiro está justamente na construção desses personagens, que apesar de aparentemente terem um ótimo potencial, não tem um roteiro que lhes construa de maneira muito satisfatória, apenas sempre arranhando a superfície. Os poucos momentos de brilho desses personagens são muito mais fruto de um bom trabalho de seus carismáticos atores do que de um esforço por parte dos roteiristas. Esse é apenas um sintoma do maior problema de todo o filme, a preguiça, ou falta de capacidade, de seus idealizadores de fugir do senso comum e trazer algo novo. “Jurassic World” é muito melhor do que se esperava, principalmente as cenas em que o personagem de Pratt treina os velociraptors, elemento muito bem usado no filme, e que não é tão simples quanto pode parecer. Entretanto, há de se dizer que o principal feito do filme é ser uma boa experiência cinematográfica. Vale o preço do ingresso, mas não um segundo olhar mais atento quando “Jurassic World” sair em Blu-Ray.
PS: os números de bilheteria divulgados apontam para um número incrivelmente alto, 200 milhões de dólares em seu final de semana de estreia, apenas nos Estados Unidos. Se por um lado, me entristece ver que um filme que joga seguro arrecada quase 5 vezes mais que o magnífico Mad Max (40 milhões na estreia), me sinto esperançoso para as futuras sequências, que certamente virão.
Bom
Por Thiago Natário
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